quinta-feira, 14 de julho de 2016

Brasileiros falando mal do Brasil deveriam ser deportados

Sempre vejo pela internet, em páginas, em fóruns e no Facebook, brasileiros metendo o pau no Brasil. Agora nas Olimpiadas, aparece um grande número de idiotas aproveitando a oportunidade para se exibir escrevendo impropérios contra o pais, torcendo para que dê tudo errado, que apaguem a tocha, dizendo que o Rio é um lugar horrivel cheio de bandido, favela, tiro...até uma epidemia de zika inexistente inventaram.
Alguns brasileiros mal-paridos chegam ao cúmulo de escrever em ingles só para difamar o Brasil em paginas estrangeiras de jornais americanos e europeus, dizendo que o pais é horrivel, avisando aos estrangeiros para não virem, etc. Estes brasileiros na verdade não passam de párias da sociedade, querendo se exibir falando mal do Brasil em ingles só para chamar a atenção de gringos do "primeiro mundo", talvez para ver se conseguem um green-card por estarem alertando a estrangeiros que o Brasil continua sendo uma selva cheia de indios canibais e animais devoradores de gringos brancos com camera fotográfica pendurada no pescoço, de camisa estampada, calça curta, meia e sapato.   
A você que escreve em ingles difamando o Brasil: nao está aqui para ajudar? Então cai fora. você deveria ser expulso, deportado do país. Voce é um lixo da sociedade. 
Na época da Copa, foi a mesma coisa: brasileiros falando mal do país e estrangeiros não acreditando que iria dar certo, que haveriam crimes, que estádios desmoronariam, etc. Resultado: a copa foi um sucesso, uma das melhores da história, segundo todos os estrangeiros que vieram assistir.
Quero dizer o seguinte: é a primeira vez que um país latino-americano vai sediar as Olimpiadas.
O momento é de mostrar ao mundo que o Brasil pode, deve e VAI fazer um magnífico espetáculo esportivo. E, como cantou Assis Valente, "chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor"
Acha que o Rio ou o Brasil tem defeitos? Então, arregaça as mangas e vai pra rua tentar melhorar o que tá ruim. Ficar com as nádegas sentado na frente de um computador escrevendo asneira na internet, não vai resolver nada, e voce ainda vai fazer um papel ridículo para gente que voce nem conhece pessoalmente.
Que venham as Olimpiadas! O Brasil fará bonito!

sábado, 4 de junho de 2016

A Laranja Bichada da MPB


Relembrando esse samba antigo, vem a saudade dos tempos em que a música popular brasileira tinha bons arranjadores que faziam obras de arte sonoras só com instrumentos acústicos, e as composições tinham letras realmente inteligentes, algumas mesmo verdadeiras obras primas poéticas.

A culpa do que acontece hoje com a MPB não é do povo. As laranjas bichadas que são empurradas goela abaixo dos espectadores de TV, rádio e shows é culpa da indústria da música, da mídia e das gravadoras, ou como disse Elis Regina em uma entrevista, a culpa é dessa indústria que usa esses nomes "marketing", "merchandising" e "esses nomes em inglês".

Na década de 70 e 80, quando o rock imperava no Brasil, alguém disse "O samba está morrendo". Hoje, em 2016, o samba está aí, mas onde estão todas aquelas bandas de rock que infestavam os programas de auditório? Onde estão as duplas "sertanejas" que iam dar entrevista todo domingo no Faustões, Gugus e Anas Marias Braga da vida? MC Créu? Bonde do Tigrão? Onde estão?

O que é confortante, no meio desse terreno baldio sonoro gigante, ter a boa surpresa de ver aqui e ali jovens de 15, 20 anos, geralmente estudantes de música, ouvindo e tocando choro, apreciando Bossa Nova ou música dos Festivais dos anos 60. Jovens sabendo quem é Noel Rosa, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Tom Jobim, Waldyr Azevedo, Jacob do Bandolim, Cartola, Chico, Vandré, Edu Lobo, Elomar Figueira Melo...

Não tem poder de mídia ou do dinheiro que acabe com uma coisa que não se compra e não se vende: a ARTE.
O resto é silêncio.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Religião e Política: mistura perigosa




Misturar religião e política é muito perigoso. Líderes religiosos deveriam ser proibidos de ocupar cargos políticos. Pois um líder de uma religião, seita, ou de uma dessas "igrejas" que atualmente aparecem em cada esquina, muito provavelmente vai querer "puxar a sardinha" para a sua religião, ou seja, estando em um cargo político poderoso, poderá - ou quase certamente irá - tentar influenciar para a criação de leis que incentivem a SUA religião em detrimento de outras. E isso nunca pode acontecer.


Tem havido líderes religiosos aparecendo na mídia tentando influenciar a sociedade para que as regras da sua religião sejam impostas, e consideradas as "corretas". Dizer em um programa de TV ou Rádio que - por exemplo -  a religião X é "coisa do Diabo", é um exemplo claro dessa manipulação em eliminar religiões "concorrentes". E claro que sempre com um fundo de interesse financeiro nisso. O pensamento (nunca publicamente revelado) destes líderes é: "se eu tiro fiéis da religião X, e trago para a minha, óbvio que ganharei com isso." Financeiramente falando. Alias, nâo vou elaborar aqui o que estou querendo dizer com "financeiramente", pois creio que quem segue meus textos são pessoas inteligentes e bem informadas sobre o que está acontecendo no Brasil de alguns anos para cá
.

Não se pode transformar algo subjetivo, inventado pela cabeça das pessoas, como são as religiões, em leis irrefutáveis que tem que ser seguidas porque esse ou aquele político resolveu que um país inteiro tem que seguir a religião que ele acha certo.

Religiões não tem embasamento científico nenhum para existirem ou serem consideradas indispensáveis para a existência, a vida ou mesmo o bem-estar de seres humanos. Há pessoas que se sentem bem acreditando em uma religião. Psicologicamente. Mas isso é uma escolha pessoal de cada um, não pode ser transformado em regra. Pois se passarmos a criar leis para permitir ou incentivar algumas religiões, ou lhes dar isenção de impostos, por exemplo, e para outras religiões não, então abre-se um precedente para que se imponham leis também para que se incentivem atos e comportamentos que não é todo mundo que gosta de fazer, ou será feliz em fazer, como por exemplo, usar drogas ou praticar homossexualismo. Há pessoas que fazem essas coisas? Sim, claro, há muitas. Mas há tantas outras milhões que não fazem, não gostam e não querem fazer.

Portanto, praticar ou seguir uma religião é, e tem que continuar sendo, uma ESCOLHA, não uma IMPOSIÇÃO.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Terra de Malboro - Grupo Fulia



Pesquisando sobre os festivais da canção, encontrei essa raridade que assisti ao vivo pela TV no longínquo ano de 1982...Era o "Grupo Fulia", banda que acho que se 20 pessoas no Brasil se lembrarem pelo nome, será um milagre. 
Mas a música que eles cantaram, "Terra de Malboro", em estilo country, eu não esqueci, e acho que muitas pessoas que viram o Festival MPB Shell de 82 vão se lembrar quando verem esse video.
A letra era um deboche óbvio à Baixada Fluminense (bem pra lá, bem pra lá de Deodoro...), região do Rio de Janeiro que era (era?) muito carente e violenta, uma espécie de faroeste carioca...
Na verdade, o Grupo Fulia pode ser considerado o verdadeiro precursor dos Mamonas Assassinas, pois lançaram na TV o estilo "banda de deboche", antecipando em cerca de 10 anos o sucesso que os Mamonas fariam depois, com suas letras desbocadas e com as palhaçadas que os integrantes faziam no palco.
Alguns outros grandes sucessos do Grupo Fulia que mostram seu alto nível musical, erudição e poesia:
- Vai a merda
- Arde mas é bom
- "Chuca" blues
- Cala a boca e chupa


Para alegria dos que tem saudades do Grupo Fulia, a boa notícia é que o grupo continua existindo, porém com o sugestivo nome de "Escola de Maluco"...
Quem quiser ouvir as músicas antigas e novas do Grupo Fulia/Escola de Malucos, é só clicar aqui.
E o site oficial deles é http://escolademaluco.wix.com/escolademaluco

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Entrevista com Chico Xavier


Independente de se acreditar ou não em religiões (como eu, que sou agnóstico), este homem, durante seu passamento pela Terra, plantou uma semente de amor e fraternidade entre os seres humanos, e de conforto aos que perderam seus entes queridos.
Descanse em paz, Chico Xavier.

Demonio Colorido


Música da minha infância. Festival MPB 80.
Sandra de Sá no inicio da carreira, quando ainda usava o nome Sandrá Sá (na minha opinião, esse nome dava mais sorte pra ela)
Só não entendi o cenário do clipe, nada a ver com o tema da música. Mas esses clipes de antigamente não tinham mesmo uma produção muito arrojada, era tudo ainda muito primitivo. Em compensação, as músicas davam de 1000 a zero nas de hoje.
O tempo é assim, melhora umas coisas, piora outras. 


terça-feira, 13 de maio de 2014

Russos não gostam de travesti



Vários deputados russos propuseram a criação de sua própria versão do festival de música Eurovisión, depois da vitória da travesti de barba Conchita Wurst no festival em Maio de 2014, desencadeando críticas na Rússia, país que é conhecido como uma sociedade homofóbica. 

Gays definitivamente não são bem-vindos na Rússia. Será que a Dilma e o Lula também vão querer imitar os russos? Pois a história conta que Che Guevara mandou fuzilar dezenas de homossexuais em Cuba, pois para o comunismo, homossexuais são seres degenerados que tem que ser exterminados.
Algo parecido com a Eugenia que os nazistas fizeram na Europa, para "limpar a raça pura" de raças "inferiores", como negros e judeus.

Teoricamente, isso também deveria ser um ideal do Lula e da Dilma, que são comunistas, e adoram o Fidel, Russia e o Hugo Chavez, e o sonho enrustido do Lula sempre foi ser o Fidel Castro Brasileiro ou o Che Guevara Brasileiro, e derrubar os USA da posição de mais poderosos do mundo.

É só lembrar de quantas provocações o Lula alfinetou contra os americanos enquanto esteve no poder, e a Dilma também não perdeu a oportunidade de dar sua ferroada de escorpião no Obama quando descobriu que era uma das espionadas pela NSA.

Não parece muita coincidencia que justamente depois que Dilma apareceu esbravejando contra os Estados Unidos, cancelando almoço com o Obama e exigindo pedido de desculpas (nunca um presidente chegou a tal nivel de afronta contra o governo americano) , coisa de semanas depois, começou subitamente um protesto contra um aumento de CENTAVOS na passagem , que virou protesto nacional, aparecimento de Black Blocs, e até o presente momento, estouram greves (só hoje uma de motoristas no RIo e outra de Professores em SP) , protestos contra Copa do Mundo, anarquias para tudo que é lado?

Se isso fosse uma peça de teatro, a sequencia das cenas e do enredo é perfeita, tudo se encaixa perfeitamente...Tudo...
O povo como sempre, sendo manipulado por forças que nunca aparecem de cara lavada.
Não sou a favor de várias coisas do governo do Lula ou da Dilma, e admito que não nutro simpatia pelo comunismo e muito menos por países comunistas, mas também não concordo que o Brasil esteja pior do que era na época do Fernando Henrique Cardoso, por exemplo. Porque agora todo mundo resolveu virar guerrilheiro contra o governo, e na época do Cardoso, Itamar Franco, Sarney, não houve esse levante do gigante adormecido? A resposta é simples, todos estes presidentes eram de direita, e não faziam nada contra os USA.

Creio que a Dilma não ganhará, quem ganhará é o Aécio.Já está havendo todo um movimento da mídia em divulgar "pesquisas" que "mostram" que Dilma desce ladeira abaixo, e o interesse do "povo" por Aécio entra em estado de ereção pouco a pouco. Se ele ganhar, com certeza, fazer milagre e resolver problemas que não foram resolvidos até agora, ele não vai.

Alias, nenhum presidente sozinho vai. Pois o Brasil é um país tão grande e com um povo tão complicado de se administrar, que não há como uma pessoa apenas resolver tudo da noite pro dia, ou em 4 anos. Na verdade, acho que deveriam mudar o nome do Brasil para "BELÍNDIA" (Belgica + India), pois mistura partes de riqueza e prosperidade de primeiro mundo com outras de pobreza, corrupção crônica, crime, etc.

E essa parte podre em parte é culpa do próprio povo, que digamos assim, não é propriamente o que podemos chamar de um exemplo de civilização, ao contrário (para citar um exemplo), dos japoneses, que já são inatamente organizados. Voce vai ver japoneses jogando lixo na praia ou no chão da rua? Deixando o cachorro defecar no meio da calçada e irem embora sem limpar? Só para citar pequenas coisas que já demonstram diferenças na maneira de SER do povo, naquilo em que não precisa de lei nem penalidade para ensinar o que deveria ser EXPONTÂNEO.

Voltando ao travesti que enfureceu a Russia e à ereção do nivel de popularidade do Áecio, só para terminar esse texto, quero acrescentar que, se por acaso, apenas por um acaso, por um lapso de toda essa maquinaria, a Dilma ganhar, podem ficar certos de que um impeachment ou um golpe militar será a sequencia, para por fim à desordem nacional que vai se instalar caso essa senhora consiga um segundo mandato.

Volto a falar sobre isso depois de Novembro.
Ósculos e amplexos a todos


E VOTEM COM INTELIGÊNCIA!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Maconha emburrece

No programa De Frente Com Gabi, da apresentadora Marília Gabriela, atualmente exibido pelo SBT, apresentou em 19 de junho de 2013 uma entrevista com o médico e psiquiatra Dr. Sérgio de Paula Ramos. Especialista em dependência química há mais de 20 anos, ele afirmou que o consumo de drogas começa no primeiro gole, e não na primeira tragada. Dr. Sérgio falou ainda sobre a epidemia do crack, revelando causas e consequências devastadoras dessa e de outras drogas.

Algumas frases marcantes da entrevista:
• Todo o trabalho midiático contra o crack tem ajudado.

• Se essa ajuda estiver condicionada à permanência no tratamento, é uma ideia interessante. (sobre o Bolsa Crack)

• Em média, o adolescente está começando a beber aos 12 anos.

• Você não vê adolescente bebendo em lugares públicos nos EUA e na Europa. No Brasil é uma irresponsabilidade.

• Os resultados de quem chega ao hospital involuntária ou voluntariamente são praticamente os mesmos.

• Há recuperação no crack, mas estamos diante da dependência mais forte do país.

• Maconha, em poucas palavras, emburrece.

• Quando você aumenta a liberação da droga, você aumenta o consumo e as consequências dela.

Pois é, quando um médico fala, não tem muito que contestar. Agora que em vários países, principalmente nos Estados Unidos, está havendo um debate por leis de liberação do consumo de maconha, e alguns estados americanos até já autorizaram efetivamente a liberação, aqui no Brasil também já se ouve um zum zum zum de maconheiros e simpatizantes querendo "liberar geral" (apesar de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que a bancada evangélica do congresso nacional deixar a liberação das drogas passar).

O fato é que qualquer coisa que entre pelos pulmões ou pela boca e que não é vitamina, proteína ou sais minerais, é substância tóxica, ou no mínimo, inútil, e que ainda dá trabalho ao organismo para se livrar desse lixo depois. Portanto, não só drogas, mas também álcool e cigarro, são igualmente nocivos para o organismo. A não ser que alguém prove que álcool ou nicotina são alimentos para alguma parte do corpo.

Liberar drogas só vai aumentar o número de pessoas usando substâncias não-nutrientes para o corpo. Isso para falar da forma mais suave, se não quisermos falar dos efeitos mentais do álcool e das drogas, que muitas vezes potencializam defeitos de caráter de quem usa, como por exemplo, a agressividade e a desonestidade (como os milhares de casos já registrados de drogados que roubam ou até matam para conseguir dinheiro para comprar mais drogas)

Dr. Sergio de Paulo Ramos, que outros médicos como o senhor tenham cada vez mais acesso à mídia para que a voz da sensatez, e principalmente da ciência continue falando mais alto. E que falem cada vez mais baixo tanto os que são a favor de liberar mais drogas (como se não bastasse a desgraça que é o álcool) com seus argumentos sem fundamento científico, apenas tentando apregoar umas frases feitas do tipo  "abaixo a repressão" como se liberar drogas fosse uma espécie de bandeira heróica de uma revolução contra alguma ditadura sanguinária.

Fonte da entrevista: http://www.sbt.com.br/defrentecomgabi/noticias/12583/Maconha-em-poucas-palavras-emburrece-diz-Dr-Sergio-de-Paula-Ramos.html#.UjwE19J018E






sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mulher, cachorro e gato - Qual é o MELHOR?



Outro dia visitando meu amigo Matheus, fiquei incomodado porque a cadela dele me recebia muito mal quando eu chegava, começava a latir e rosnar, e demorava muito para baixar a guarda comigo.  Ele me disse que eu não era carinhoso com a cadela dele, por isso ela ficava rosnando e demorando para se aproximar de mim.

A cadela de outro amigo meu, o grande dramaturgo e poeta Tony Caroll, também foi outra que me causou sentimentos de contrariedade... A bicha parece que me detestou quando me viu, queria me morder o tempo todo, uma hora fui tentar passar a mão na cabeça dela e NHAC! Foi por um milimetro que a desgraçada não me cravou os caninos na mão com toda força. Dali a pouco chegou um vizinho do Tony, um rapaz meio maluco, e a cachorra ficou toda feliz, pulando em volta do rapaz, toda cheia de amor pra dar. Fiquei uma arara com a cachorra... A pior coisa que tem é voce se sentir rejeitado enquanto a outra pessoa recebe toda a atenção e sorrisos...Ainda mais quando a rejeição parte de uma droga de uma cachorra cheia de pulga. Com o coração partido e ensandecido pela rejeição canina, prometi para mim mesmo que não iria voltar a visitar esse meu amigo, só por causa dessa cachorra dos diabos.

Bom, eu confesso que não gosto muito de cachorro mesmo...são carentes demais, querem atenção o tempo todo, carinho o tempo todo, tem que ficar falando com aquela "voz de brincadeira" pra eles pegarem confiança em você ...Prefiro mil vezes gatos, são independentes e demonstram afeto em doses homeopáticas, e nem gostam que fiquem acariciando eles o tempo todo.

 Receber amor é bom, mas mantendo a independência é muito melhor. Isso serve inclusive em relacionamentos amorosos de verdade. Qual o homem que gosta de uma mulher que fica no pé o tempo todo, ligando de 5 em 5 minutos pra saber o que voce tá fazendo, com quem voce tá, porque voce não disse "eu te amo" hoje, "porque voce ainda não disse que tá com saudade", "porque voce não me deu um beijo quando se despediu de mim ontem", e mais uma tonelada de "nhén nhém nhém" no teu ouvido...


A mulher inteligente é a Mulher-gato, gosta de seu dono mas sabe preservar seu próprio valor. Mulher-cachorro acaba sendo chifrada, e depois não sabe porque. Pois isso já é programado pela própria natureza no organismo dos seres humanos e da maioria dos mamíferos: o homem tem natureza polígama, e o desejo inato de espalhar seus milhões de espermatozóides no máximo de úteros possiveis. Isso não é uma vontade voluntária, é um instinto mecânico e involuntário, independente de que os homens aprendam na escola ou na Biblia que o adultério é algo muito feio e um pecado que o levará direto para dentro do caldeirão do Tinhoso.

Já a mulher, por produzir durante a vida apenas algumas centenas de óvulos, tem um instinto de permitir que apenas um que lhe fecunde (ou o mínimo de homens possivel), pois para a mulher, um óvulo por mês é muito mais precioso, do que para o homem são os milhões de espermatozóides que são produzidos diariamente em seus testículos. Se jorrarem uns 100 milhões de espermatozóides, o que é que tem? Daqui há algumas horas, já tem mais outros 100 milhões saindo do forno. E assim, o homem não tem porque poupar o estoque. Ao contrário, quer mais é colocar o estoque todo disponível para o maximo de freguesas possível, seja a freguesa da matriz, sejam as das filiais.

A primeira coisa que TODO homem gosta é: liberdade. Assim como os gatos. Nada de amor sufocante, monopolista, possessivo e egoista. Quanto mais a mulher se afastar desses impulsos de cachorro, de paparicar demais, querer atenção o tempo todo, ter ciúme até da folha de palmeira balançando perto do marido/namorado, mais ela tem chances de realmente ter um homem que fique apaixonado por muito tempo, quem sabe até muitos anos (enquanto o interesse sexual de ambos também permanecer, é claro).

Portanto, mulheres que querem arranjar um casamento que comemore bodas de bronze, de prata, de ouro, ou até a de jequitibá - aquela árvore brasileira que é dura que nem pedra, e que corresponde a comemoração de 100 anos de casado (!!!), o meu recado para vocês é: antes da casarem comprem um gato.  Sentem em frente a ele por alguns dias, semanas ou meses, até aprender com eles como demonstrar que gostam de alguém. Depois disso, aí é que podem começar a procurar um pretendente.

PS: só não precisam aprender a miar, porque mulher que fala "miando" é também um verdadeiro chute no saco...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

José Siqueira, o genial maestro da Paraíba




José Siqueira é um nome muito comum no Brasil. Quantos Josés Siqueiras voce já conheceu? Acredito que pelo menos um, nem que tenha sido só de nome. Por isso, talvez o José Siqueira compositor, maestro e um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira talvez pareça apenas mais um nome comum para 99.9% dos brasileiros, que o diga dos estrangeiros.

Bom, eu me incluo nos 00,1% dos que conhecem não só o nome do José Siqueira maestro e compositor, mas também algumas obras sinfônicas deste genial paraibano que trouxe as paisagens e aromas do seu Nordeste para o repertório sinfônico.

José de Lima Siqueira nasceu em 1907 na cidade de Conceição, no desconhecido Vale do Piancó (desconhecido pelo menos por nós do Sul-Sudeste), em pleno sertão da Paraíba. Segundo o próprio compositor declarou, na pequena cidade não havia nem um piano. Ele só viu um piano pela primeira vez na vida quando saiu da sua pequena cidade natal. Quanto a isso, não mudou nada. Até hoje há centenas de vilarejos e cidadelas no Nordeste e em outras partes do Brasil que não tem um piano, violino, clarinete e nenhum outro instrumento "da elite". O maximo que pode se encontrar é um violãozinho furreca, e olhe lá.

Voltando a história de José Siqueira, como não tinha piano, o primeiro contato dele com a música foi com as bandas de sopros de cidades do sertão da Paraíba. Seu pai era mestre da banda Cordão Encarnado, que ensinou o filho a tocar diversos instrumentos como o saxofone e o trompete.

Em 1927 veio para o Sul Maravilha, mais especificamente para a capital do Brasil - na época o Rio de Janeiro. Na verdade ele não veio por causa da música, e sim porque era integrante das tropas recrutadas para combater a Coluna Prestes. Mas claro que a música sempre grita mais alto quando voce tem esta vocação dentro de si, não há como sufocar, e logo o jovem entrou na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista.

Isso me lembra a história de Rimsky-Korsakov, grande compositor russo e um dos maiores mestres de orquestração da história da música erudita. Quando jovem, Korsakov serviu na Marinha russa, e mesmo tendo seguido carreira militar, nunca deixou a música de lado.   

No Rio, José Siqueira construiu sua carreira de compositor e maestro. Foi professor da Escola de música da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundou a Orquestra Sinfônica Brasileira em 1940. Também regeu nos Estados Unidos grandes orquestras como a Sinfônica da Filadélfia, Detroit, Rochester. Na França regeu a Orchestre Radio-Symphonique, de Paris, e em Roma, A Sinfônica de Roma.

Fundou também a Orquestra de Câmara do Brasil, Sociedade Artística Internacional, o Clube do Disco e a Ordem dos Músicos do Brasil.

Além de ter escrito um excelente tratado de orquestração (que tive oportunidade de ler na Biblioteca Nacional), José Siqueira compos de tudo: óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias, música de câmara, música de ballet, musica vocal, etc.



Somente agora nos ultimos anos, com a internet, está ficando mais fácil - ou eu diria menos impossivel - encontrar gravações de obras de José Siqueira. Mesmo assim, ainda é muito complicado encontrar gravações de algumas obras fundamentais do maestro, como o Carnaval no Recife (com um Frevo no final que é uma página clássica do repertório sinfônico brasileiro, mas que de forma ultrajante continua totalmente desconhecido e não executado), o oratório Xangô (foto acima da capa do LP), e a emblemática Toada para Cordas, esta talvez a única obra que é um pouco mais gravada por alguns quartetos e orquestras de cordas - assim mesmo muito raramente. Também quero mencionar um belíssimo Concerto para Orquestra, de Siqueira, que assisti na Sala Cecília Meireles em 1986 ou 87 (não me lembro exatamente o ano) sendo executado pela OSB regida pelo excelente maestro Norton Morozowski. Um concerto sem instrumento solista, só para a orquestra, dividido em movimentos, da mesma forma que a Overture, Scherzo e Finale de Schumann. Porém, pintado com belíssimas cores brasileiras, e uma orquestração simplesmente fascinante.         

Esse raro concerto eu assisti nos meus tempos de estudante de música, quando realmente voce não encontrava quase nada da música de José Siqueira sendo divulgado. Na verdade, só era possivel ouvir musicas de José Siqueira através da Rádio MEC FM, o verdadeiro baluarte de divulgação da música erudita no Brasil. Se não fosse a Rádio MEC, não haveria nada, absolutamente nada de José Siqueira e de outros compositores brasileiros sendo divulgados nos anos 70 e 80. 

Essa dificuldade em ouvir obras de José Siqueira em parte se deve a um fato político infeliz, pois o maestro foi mais uma vítima da famigerada perseguição que o governo brasileiro fazia contra os comunistas (como em vários outros países do mundo ocorria), e em 1969 - logo que o terrível AI-5 foi implantado pela ditadura - Siqueira foi aposentado "antecipadamente". 

Antes, em 1948, ele também já havia sido prejudicado por ser comunista: Arnaldo Guinle, aristocrata da familia dos fundadores do Copacabana Palace e patrono da Orquestra Sinfônica Brasileira, se indispôs com José Siqueira e conseguiu afastá-lo da direção da sociedade com apoio da "ala direita" da sociedade (conforme citado no artigo da wikipedia sobre a história da OSB).




Após sua "aposentadoria", e enquanto durou o regime militar, Siqueira não teria mais possibilidades de seguir sua carreira de músico no Brasil (e obviamente também nos Estados Unidos e outros países anti-comunistas) . A solução foi ir para a extinta União Soviética, onde regeu a Orquestra Filarmônica de Moscou (foto acima) e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Os russos apoiaram o brasileiro e editaram boa parte de sua obra, garantindo sua preservação.

Siqueira faleceu no Rio em 22 de abril de 1985, exatamente quando o governo militar estava dando adeus ao poder. Um  dia antes, morria Tancredo Neves, o primeiro presidente civil desde 1964, por eleições diretas. Em seu lugar, José Sarney seria o primeiro presidente civil do Brasil após os "anos de chumbo" que calaram tantas vozes, inclusive a do genial maestro José Siqueira

Se voce quer conhecer mais sobre vida e obra de José Siqueira, sugiro que dê uma olhada no blog mantido pela neta do compositor, Mirella San Martini, que está fazendo um trabalho excelente de preservação da memória de seu avô. O blog traz sempre as novidades sobre concertos e atividades musicais relacionadas a José Siqueira e mais informações sobre vida e obra do maestro. O endereço do blog é http://maestrojosesiqueira.blogspot.com.br  

Victor Jara, um martír da música e da liberdade


Mural criado por mim para uma matéria sobre o cantor chileno Victor Jara, considerado um mártir da música, por ter sido torturado e morto pela ditadura chilena só por cantar músicas pela paz e pela justiça social, contra a miséria e a desigualdade. Foi preso com outras 3.000 pessoas acusadas de apoiarem o comunismo. Todas foram presas em um estádio, onde Jara escreveu um poema sobre o terror de estar vendo seus companheiros estudantes e professores da Universidade sendo torturados e mortos. Poucos dias depois, os soldados esmagaram suas mãos para que não pudesse mais tocar seu violão, e assassinado com 44 tiros. (1) Victor Jara, (2) soldados do Exército vigiando os presos no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, (3) Soldados prendendo pessoas nas ruas do Chile, (4) Criança pobre catando comida no chão em favela no Chile, (5) Victor Jara cantando para crianças pobres em uma Favela no Chile, (6) O sanguinário ditador chileno Augusto Pinochet, que mandou o exército assassinar todos os opositores comunistas do seu governo, apoiado pelo governo dos Estados Unidos e da Inglaterra
____________________________________________________

ENGLISH: Victor Jara is a martyr of music. He was tortured and killed by Chilean dictatorship, just for his songs about peace and social justice. He was arrested with other 3,000 people accused of supporting communism. All them were jailed in a stadium where Jara wrote a poem of horror at seeing his comrades - University students and teachers - being tortured and killed in front of him.A few days later, soldiers smashed his hands so he could play no more his guitar, and killed him with 44 shots. (1) Victor Jara (2) Army soldiers guarding prisoners at the National Stadium of Santiago, Chile, (3) Soldiers arresting people on Chile' streets, (4) Poor Child picking up food on the floor in a Chilean slum (5) Victor Jara singing for poor children in a slum, (6) The bloody dictator Augusto Pinochet, who ordered the Chilean army to murder all his communist opponents. His government was supported by US and UK. (photomontage by Roberto Carelli for Pan Channel)

Não ande atrás de mim...


domingo, 9 de setembro de 2012

A Emília era racista?




Hoje fiquei pasmo ao ler a notícia do jornal "O Globo", de que o livro "Caçadas de Pedrinho" de Monteiro Lobato, iria ser levado a uma audiência no Supremo Tribunal Federal por ter sido denunciado como uma obra literária que incita o racismo. 

A denúncia foi feita pelo "técnico em gestão educacional" Antonio Gomes da Costa Neto à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em relação à trechos como os que se referem à personagem Tia Nastácia como "preta" (como “Lá é isso é — resmungou a preta, pendurando o beiço”). 

Na minha opinião, o senhor Antonio Gomes deveria procurar algo melhor para fazer - dentro das atribuições de sua função de técnico em gestão educacional - para valorizar mais as pessoas da raça negra, como por exemplo recorrer ao governo para que abra mais escolas e universidades em áreas carentes, por exemplo, onde parte significativa da população é negra e não tem acesso a boas escolas e universidades. 

Isso com certeza seria muito mais útil que ficar perseguindo um livro escrito há mais de 80 anos quando o modo de se referir aos negros era este mesmo, e isso não era racismo, era apenas o modo de falar. Até minha avó falava assim de seus conhecidos da raça negra, e não era falado como algo racista, era apenas a maneira habitual de se referir.

O que este senhor esta fazendo é um racismo ao contrário. Se fosse um personagem branco em que monteiro Lobato escrevesse “Lá isso é — resmungou a BRANCA, pendurando o beiço mais branco ainda" Isso teria então que ser denunciado como racismo contra os brancos, não?

Ou se fosse "Lá isso é - resmungou a CHINESA, apertando os olhos mais ainda do que já eram", isso é racismo contra os chineses, n'est pas?

No facebook, choveram comentários a este artigo do Globo, e um rapaz negro muito indignado, saiu postando várias mensagens apoiando que o livro fosse censurado, e que era racista mesmo, e alertou ameaçador: "racistas,  corram para as montanhas! O mundo ta ficando pequeno para vocês!!" 

Uma outra pessoa postou que os livros do "Sitio" fazem "uma defesa engajada das ideias eugenistas". Para quem não sabe, a eugenia foi um conceito criado pelo cientista inglês Francis Galton, que apregoava que a melhora da qualidade de uma determinada espécie poderia ser obtida através da seleção artificial dos indivíduos com as melhores qualidades físicas e mentais para que só fossem gerados filhos com as mesmas qualidades

Este conceito foi amplamente usado por para justificar as ações de extermínio ou esterilização de indivíduos considerados inferiores. O Nazismo usou e abusou deste conceito. Mas aqui no Brasil também houve uns espasmos dessa droga de ciência inútil. Em 1918 foi criada uma tal de "Sociedade Eugênica de São Paulo", e em 1931 o "Comitê Central de Eugenismo", que entre outras pérolas do racismo, apregoava "o fim da imigração de não-brancos", e "prestigiar e auxiliar as iniciativas científicas ou humanitárias de caráter eugenista que sejam dignas de consideração". Uma respeitada publicação oficial, a "Revista Brasileira de Enfermagem", apoiava as idéias eugenistas, mas era difícil distinguir até que ponto estes brasileiros eugenistas se referiam a "raças", ou apenas a indivíduos com doenças físicas ou mentais como "não desejáveis" para a procriação.    

Voltando à vaca fria, lá no post do Globo já estavam chovendo comentários taxando a censura ao livro de Lobato "ridícula", e alguns começando a reclamar do tal rapaz que apoiava a censura, o rapaz postou que " Só a classe media branca que chama o empregado negro de "neguinho" e pessoas de cabelo crespo de "cabelo ruim" vem aqui bravejar que (o livro de Monteiro Lobato) não é racista!!" 

Nessa hora eu não me contive e postei a seguinte pergunta para o rapaz: "então se chamar um empregado negro de "neguinho" é racista, então é racista também chamar um empregado loiro de 'alemão' ou 'russo' (como muita gente chama pessoas loiras)? O que me diz?"

O rapaz não respondeu, mas continuou discutindo com os outros que postavam impropérios contra ele e sua posição isolada de apoiar a censura do "Caçadas de Pedrinho".

Não nego que exista racismo no Brasil, claro que existe. Não tão forte e sectário quanto nos Estados Unidos, mas existe. Agora o que é ridículo nessa história é querer censurar um livro escrito há quase 100 anos, que faz parte da história da literatura brasileira, por uma "caça as bruxas racistas". Conheço muito bem os livros do Sitio do Picapau, não me lembro de ter visto nada racista ou eugenista. Ou então eu sou muito burro e nunca percebi que realmente a Dona Benta, a Narizinho, Emilia e o Visconde de Sabugosa viam a Tia Nastácia, o Saci e o Tio Barnabé como seres inferiores. Então vou pegar todos os livros do Sítio e ler tudo de novo pra ver se isso é verdade.

De repente eu pulei alguma frase eugenista dita pelo Visconde de Sabugosa. Como ele era o intelectual da estória, com certeza devia ser um admirador enrustido do Francis Galton. Antes ele tivesse voltado a ser um rélis sabugo de milho de novo. Assim servia de comida para o Rabicó e não saia por aí falando bobagens sobre a Tia Nastácia, coitada. 

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/09/08/monteiro-lobato-no-banco-dos-reus-464280.asp

domingo, 26 de agosto de 2012

Foi Hitler!


Para os que ainda achavam que os americanos tinham afundado navios brasileiros na 2ª Guerra Mundial e botaram a culpa nos Alemães só para induzir o Brasil a entrar em guerra contra Hitler, aqui está a prova de que estão enganados. Segue abaixo matéria do jornal O Estado de São Paulo sobre o assunto:

Hitler ordenou pessoalmente ataques a navios brasileiros 
É o que revelam os papéis do Tribunal de Nuremberg guardados no Itamaraty
 (Publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 25 de agosto de 2012 por Wilson Tosta




Uma estratégia naval supervisionada pelo próprio Adolf Hitler resultou no ataque generalizado de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros junto à costa do País nos primeiros oito meses de 1942, quando o governo Getúlio Vargas ainda era formalmente neutro na 2.ª Guerra Mundial. Documentos do Tribunal de Nuremberg guardados no Arquivo Histórico do Itamaraty mostram que o führer autorizou pessoalmente o uso da força contra embarcações do Brasil em maio daquele ano, por considerar os brasileiros em guerra contra o reich.

A papelada tem partes do diário de guerra do ex-chefe de Operações do Oberkommando der Wehrmacht (OKW), general Alfred Jodl, e depoimento do ex-ministro da marinha alemã Erich Raeder na corte que julgou chefes nazistas - Jodl foi condenado à morte e Reader, à prisão perpétua. Os afundamentos levaram o País ao conflito.

"Em 29 de maio, o Comando de Operações Navais (SKL) propôs liberar o uso de armas contra forças aéreas e navais brasileiras", anotou Jodl em 16 de junho. "(O SKL) Considera apropriado um rápido golpe contra navios mercantes e de guerra brasileiros no momento presente, no qual medidas defensivas ainda estão incompletas e a possibilidade de surpresa existe, já que o Brasil praticamente está guerreando no mar a Alemanha. (...) Sobre a proposta do chefe do Comando Operacional das Forças Armadas, o führer ordenou em 30 de maio que o Comando de Operações Navais (SKL) deveria verificar, perguntando a Roma se relatórios brasileiros sobre a guerra, como ações contra submarinos do Eixo, estão corretos. A investigação (...) mostrou que submarinos italianos foram atacados em 22 e 26 de maio no canto nordeste do Brasil por aviões que fora de dúvida decolaram de base área brasileira."

Chefe da marinha de guerra alemã (Kriegsmarine) até 1943, Raeder se defendia em Nuremberg da acusação de crime de guerra por ordenar ações bélicas contra um país neutro e atacar embarcações brasileiras. Na época, os U-boats (submarinos) alemães tentavam bloquear o envio de matérias-primas e armas aos Aliados no Reino Unido e norte da África, atacando embarcações mercantes inimigas, o que não era oficialmente o caso do Brasil. Sua defesa argumentou que os brasileiros não sinalizavam corretamente seus barcos, tornando-se impossível diferenciá-los de navios inimigos. A documentação faz parte do arquivo da Missão Militar Brasileira na Alemanha e foi encaminhada ao País pelos Aliados em 1946.

Medo. A tensão entre Brasil e Alemanha vinha de 1941. O primeiro incidente entre os dois países ocorreu em 22 de março, quando o navio mercante Taubaté foi metralhado pela Luftwaffe no Mediterrâneo, junto à costa do Egito, deixando um morto e 13 feridos. Em 13 de junho, um submarino alemão obrigou o navio Siqueira Campos a parar junto a Cabo Verde. A embarcação brasileira só foi liberada após ser revistada e ter tripulantes fotografados. O Brasil aprofundava as relações com os Estados Unidos, que, a partir de junho, passaram a usar portos de Recife e Salvador. De Natal, americanos começaram a fazer patrulhamento aéreo. O Brasil rompera com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 28 de janeiro de 1942, no fim da 3.ª Conferência de Chanceleres das Américas, no Rio.

"A relação entre Brasil e Alemanha na época era assustadora", declarou Raeder, respondendo a seu advogado, Siemers, diante dos juízes em Nuremberg . "Alemães eram perseguidos lá, tratados muito mal. Os interesses econômicos da Alemanha eram prejudicados pesadamente. Brasileiros já vinham dando ouvidos aos Estados Unidos. Tinham permitido estações de rádio americanas. Transmissores sem fio tinham sido estabelecidos ao longo da costa brasileira e também estações de inteligência. (...) Eles mesmos confirmaram que tinham destruído um submarino alemão."

Depois do rompimento diplomático, recrudesceram os ataques alemães contra o País, ainda longe de águas brasileiras. A guerra chegaria mais perto em 22 de maio, quando o submersível italiano "Barbarigo" atacou (sem conseguir afundar) o vapor mercante Comandante Lira, entre Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. O submarino foi localizado por um B-25 Mitchell da FAB, que, atacado a tiros de metralhadora, segundo a versão brasileira, reagiu com bombas. A embarcação italiana escapou, mas o incidente teve repercussão no comando alemão. É a esse caso que Jodl cita em seu diário.

A embaixada alemã temia o agravamento das relações com o Brasil, por causa da atitude da Argentina e do Chile. Após a ação contra o Barbarigo, o Comando de Operações Navais propôs que dez submarinos, que deveriam sair entre 22 de junho a 4 de julho de portos na França, bloqueassem os principais portos brasileiros de 3 a 8 de agosto. A ordem deveria ser dada aos submarinos até 15 de junho.

‘De acordo’. Segundo Jodl, depois de o comandante da marinha relatar a situação a Hitler em 15 de junho em Berghof, o führer "se declarou de acordo". "Ordenou, contudo, que antes da decisão definitiva a situação política fosse de novo examinada pelo Ministério das Relações Exteriores." A operação, porém, acabou suspensa. Veio então nova série de ataques de navios brasileiros, ainda longe das águas nacionais.

Em agosto, o Eixo iniciaria outra ofensiva, agora contra a costa brasileira. Só no dia 16 morreram 551 pessoas nos ataques aos navios Baependi (270 mortos), Araraquara (131) e Annibal Benevolo (150). Os três foram torpedeados pelo submarino alemão U-507 perto de Sergipe. Um dia depois, o mesmo submersível matou mais 56 pessoas, ao afundar os navios Itagiba e Arará na costa da Bahia. Em 19 de agosto, o U-507 afundou a barcaça Jacira, perto de Ilhéus. Três dias depois, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.

Telegrama "altamente secreto" da marinha alemã para o OKW admitia "risco" de a força ser responsabilizada pela entrada do Brasil na guerra. Ela sugeriu ao ministério das relações exteriores que pedisse às nações neutras para sinalizar seus navios para não serem confundidos com inimigos. Por fim, o documento da marinha diz: "O Ministério das Relações Exteriores alemão, contudo, mandou tal notificação só para Argentina e Chile. Um telegrama enviado em 10 de fevereiro de 1942. O Ministério das Relações Exteriores permaneceu no ponto de vista de que Estados sul-americanos que tinham rompido relações conosco não fossem informados."

Mortes. Ao todo, 35 navios brasileiros foram atacados de 1941 a 1944 - 33 afundaram, com 1.081 mortos documentados (mas o número pode chegar até a 1.400, pois nem toda embarcação tinha controle do número de passageiros) e 1.686 sobreviventes. Estudioso da 2.ª Guerra Mundial, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, avalia que os documentos de Nuremberg trazem detalhes importantes sobre as decisões alemãs de atacar navios brasileiros. "Publicados, poderiam finalmente aquietar um pouco do nonsense sobre quem afundou os navios brasileiros e por quê."

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,hitler-ordenou-pessoalmente-ataques-a-navios-e-cerco-a-portos,921563,0.htm

terça-feira, 31 de julho de 2012

Lampião - bandido ou justiceiro?

O crime sempre foi estudado por antropólogos e cientistas, para que se tente descobrir o porque de existirem seres humanos com tendências criminosas. Para alguns, a tendência para o crime é inata, ou seja, já se nasce com o instinto para praticar atos perversos. Para outros, um ser humano nasce sem nenhuma predisposição para o crime, e se comete crimes, é devido aos acontecimentos por que passa durante a vida.
Segundo este segundo conceito, seria possivel regenerar bandidos. 
Eu particularmente acredito que exista uma tendência inata para a agressividade em alguns seres humanos. Se isso se concretizará como prática de crimes ou não, nesse caso talvez haja a influência do meio em que o individuo cresceu e se formou. Acredito firmemente que a educação e a criação influem decisivamente na personalidade da criança, pois há crianças de indole calma e outras agressivas desde pequenas, o que mostra que há uma tendência inata para isso. Mas que pode ser "domada" e "educada" pelos pais.


Minha avó Zezinha (Maria José Braga Arruda), pernambucana, era uma adolescente na época em que o bando de Lampião perambulava pelo Sertão. Na mesma época, ela se encontrava uma vez no consultório de um dentista em Pernambuco, no momento em que foi invadido por Antonio Silvino - outro cangaceiro famoso da época. Segundo ela, Silvino teria lhe dito que "era a mais linda morena que eu já vi nesse sertão". Ele se consultou com o dentista e foi embora sem fazer nada demais. 

Eu ainda criança, ouvi da boca de minha avó Zezinha os relatos aterrorizantes e fascinantes daqueles tempos. Ela chegou a visitar uma das exposições das cabeças do bando de Lampião, e guardava uma foto em casa, que chegou a mostrar para mim. Aos que ainda não sabem, as cabeças de Lampião, Maria Bonita e seus comparsas, foram cortadas assim que eles foram mortos pela volante (grupo móveis de policiais) do comandante João Bezerra. As cabeças ficaram expostas durante mais de 30 anos em várias cidades brasileiras do Sul e Nordeste. 

Dona Zezinha faleceu em 2005, e todos os seus pertences ficaram com outros parentes com quem não tenho mais contato. Quanto aos relatos sobre os cangaceiros, estes ficaram guardados apenas em minha memória, que ainda consegue ouvir e sentir o sabor do sotaque pernambucano de minha avó contando sobre os cangaceiros, e como isso me fazia sentir a mesma estranha mistura de terror e fascinio que ela e todos os nordestinos da época sentiam, quando ouviam alguma voz avisando "Lampião tá chegando!". 

Para nós, que não vivemos aquela época naquele lugar, fica a dúvida sobre o porque de terem existido os cangaceiros. Ao mesmo tempo em que Lampião e seu bando cometeram estupros, torturas, saques, assassinatos, há relatos de que Lampião chegava em vilarejos pobres e dava festas para a população, distribuindo dinheiro (roubado de comerciantes e coronéis) para os camponêses pobres, e chamando-os para beber com ele.  

Segue abaixo o texto da pesquisadora Semira Adler Vainsencher da Fundação Joaquim Nabuco, contando a história de Lampião, o que gerou sua entrada no Cangaço, e a questão sobre o estudo que cientistas e pesquisadores fizeram com as cabeças de Lampião, Maria Bonita e os cangaceiros que foram mortos na emboscada final da policia contra o bando em Angicos, Sergipe, em 1938.  

  



Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco


Conhecido como o rei do cangaço e o governador do sertão, Virgulino Ferreira da Silva nasceu no dia 7 de julho de 1897, na Fazenda Ingazeira, situada no município de Vila Bela (hoje, Serra Talhada), no sertão de Pernambuco. Foi o segundo filho de José Ferreira da Silva e de Maria Selena da Purificação. O seu nascimento, porém, só é registrado no dia 7 de agosto de 1900. Tinha como irmãos: Antônio, João, Levino, Ezequiel, Angélica, Virtuosa, Maria e Amália. Todos cresceram ouvindo e/ou presenciando estórias de cangaceiros, e Antônio Silvino lhes serve de exemplo maior.

Naquela época, o sertão quase não possuía escolas e estradas, viajava-se a pé, a cavalo, em burro e em jumento. Os denominados coronéis (os proprietários de terras) imperavam sob o peso da prepotência como os verdadeiros chefes políticos, sem nunca sofrer represálias porque a força do Estado estava sempre do seu lado. Neste sentido, eram eles que davam a palavra final, ou seja, elegiam, destituíam, perseguiam, condenavam, absolviam, torturavam e matavam.

Em períodos de crises econômicas, os coronéis recebiam ajuda do Poder Público. Isto era uma recompensa, um benefício recebido, por causa dos eleitores que controlavam mediante os "votos de cabresto" - aqueles votos fornecidos a um candidato, e garantidos pela palavra-de-ordem dos poderosos, que impõem nomeações e asseguram a hegemonia da classe política local, sem se importar com a competência profissional dos nomeados.

Apesar de muito inteligente, Virgulino abandona a escola para ajudar a família no plantio da roça e na criação de gado. Torna-se famoso nas vaquejadas. Gosta muito de dançar, de tocar sanfona, compõe versos e adora um rifle. Sabe costurar muito bem em pano e couro e confecciona as próprias roupas.

Ele tinha 19 anos quando entrou para o cangaço. Dizem que tudo começou através de disputas com José Saturnino, membro da família Nogueira e vizinha de terras. Lutando contra essa família durante muitos anos, Virgulino e seus irmãos já se comportavam como futuros cangaceiros, não tardando a entrar em conflito com a polícia. A decisão de viver e morrer como bandido, contudo, só foi tomada, mesmo, quando a polícia mata José Ferreira da Silva - o patriarca da família - enquanto ele debulhava milho.

Em um das primeiras lutas do bando, na escuridão da noite, Antônio (um dos irmãos Ferreira), espantado com o poder de fogo do rifle de Virgulino, que expelia balas sem parar e mais parecia uma tocha acesa, gritou o seguinte:Espia, Levino! O rifle de Virgulino virou um lampião! A partir desse dia, a alcunha do famoso cangaceiro passa a ser Lampião.

Virgulino consegue realizar seu maior sonho, com a intermediação doPadre Cícero Romão Batista: adquirir a patente de capitão, no Batalhão Patriótico do deputado Floro Bartholomeu, o batalhão das forças legais. Além de alimentar sua vaidade pessoal, a patente funcionaria como uma espécie de salvo-conduto, permitindo o bando circular pelas divisas dos estados do Nordeste.

Aproveitando aquela oportunidade, Virgulino solicita, também, para os companheiros Antônio Ferreira e Sabino Barbosa de Melo, os postos de 1o. e 2o. tenentes. Acatada a solicitação, os membros do bando abandonam as roupas costumeiras, vestem a farda de soldado e, como autoridades constituídas, passam a ter o dever - por mais irônico que isto possa soar -, de defender a legalidade e proteger a população nordestina.

Tudo isso foi redigido pelo Padre Cícero e assinado, a pedido deste, no dia 12 de abril de 1926, pelo engenheiro-agrônomo do Ministério da Agricultura, Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa. Feliz da vida aos 28 anos de idade, o jovem Capitão Virgulino reúne a família para tirar fotografias.

Oficialmente, ele recebe a missão de combater a Coluna Prestes - um grupo de comunistas liderados por Luís Carlos Prestes -, grupo que vinha percorrendo o País durante o governo do presidente Artur Bernardes. No entanto, após se distanciar uns 6 quilômetros de Juazeiro, Lampião decide se embrenhar na caatinga, em busca de combates mais lucrativos, deixando para trás o prometido a Padre Cícero e as responsabilidades para com o Estado. E os soldados do governo foram chamados de "macacos", porque saíam pulando quando avistavam os cangaceiros.

No bando de Lampião tinha indivíduos de todos os tipos: gordos, magros, ruivos, louros, morenos, altos, baixos, negros e caboclos. Alguns, inclusive, eram jovens demais: Volta Seca (11 anos), Criança (15 anos), Oliveira (16 anos). O mais idoso era Pai Velho, com 71 anos de idade.

Lampião arranjava, facilmente, armamentos e munições, mas, como o fazia, era um segredo que não contava a ninguém. Uma parte das armas automáticas, para combater a Coluna Prestes, foi adquirida através do Deputado Floro Bartholomeu e do Padre Cícero. Os demais armamentos do bando foram arranjados mediante a intervenção de amigos.

Um acidente provocado pela ponta de um pau cega o olho direito do Capitão Virgulino, um órgão que, anteriormente, já se apresentava problemático devido à presença de um glaucoma. Enxergando com um olho, apenas, Lampião se vê obrigado a ficar sempre enxugando, com um lenço, as lágrimas que pingam do olho vazado. A despeito dessa deficiência, ele nunca deixou de ser um excelente estrategista.

NOTA DO DONO DESTE BLOG: Segundo outros documentos, não foi um acidente com a ponta de um pau que deixou Lampião cego de um olho, e sim ao ser atingido neste olho pelo espinho de um cacto baleado durante uma troca de tiros contra policiais, quando reagia após ver seu irmão mais novo - Livino - ser baleado e morto pelos policiais.

Dizem que foi uma brincadeira de mau gosto da família Ferreira (o corte da cauda de alguns animais) a gota d’água que desencadeou uma afronta irreparável com o fazendeiro José Saturnino, proprietário das terras vizinhas e membro da família Nogueira. Sendo mais numerosos e tendo o apoio do governo, essa família termina por expulsar os Ferreira de suas terras.

A partir de 1917, Virgulino e a sua família passam a conviver com intensos tiroteios e emboscadas, não podendo morar em um lugar específico: são obrigados a vagar pelo sertão e levar uma vida de nômades.

Em meio às lutas e fugas, falece Dona Maria Selena, no Engenho Velho. E, no início de agosto de 1920, o patriarca da família - José Ferreira - é fuzilado pela volante do sargento José Lucena, enquanto debulhava milho. Naquele mesmo dia, então, os Ferreira fazem um juramento: o seu luto, até a morte, iria ser o rifle, a cartucheira e os tiroteios.

Quando sabia da existência de um coronel perverso, Lampião não perdia a oportunidade de queimar-lhe as fazendas e matar-lhe o gado. Nas incursões em vilas e povoados, o grupo saqueava, dizimava e matava. As violências cometidas pelo bando eram inúmeras: tatuagem a fogo, corte de orelha ou de língua, castração, estupro, morte lenta, entre outras. Muitos habitantes abandonavam definitivamente as suas propriedades, tornando desertas as caatingas, já que elas estavam entregues a soldados e cangaceiros.

Virgulino Ferreira era bastante impulsivo. Às vezes, passavam-se meses sem se ouvir falar nele, pensando-se, inclusive, que tinha morrido. Mas, de repente, ele surgia do nada com o seu bando, como um tremendo furacão, lutando contra as volantes, incendiando fazendas, roubando e matando com a maior naturalidade. Em algumas ocasiões, seus gestos eram generosos: confraternizava com as pessoas, organizava festas, distribuía dinheiro, pagava bebida para todos.

Em uma de suas paradas para descansar, perto da Cachoeira de Paulo Afonso, conheceu Maria Déia, filha de um fazendeiro de Jeremoabo, na Bahia. Há cinco anos ela era casada com José de Nenén - um comerciante da região - mas nutria uma paixão platônica por Lampião, mesmo sem nunca tê-lo encontrado.

Alguns afirmam que foi a própria mãe de Maria Déia que segredou a Lampião sobre essa paixão. Já outros dizem que foi Luís Pedro - integrante do bando - que insistiu para o rei do cangaço conhecê-la. Na realidade, o fato é que Virgulino caiu de amores ao vê-la. E, impressionado com a sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita.

Em vez de três dias, ficou dez na Fazenda Malhada da Caiçara. Com a concordância dos pais, que apoiavam o desejo da filha, Maria Déia coloca as suas roupas em dois bornais, penteia os cabelos, despede-se para sempre do marido, e parte com Lampião rumo à caatinga. Era o ano 1931 e ela tinha 20 anos.

Pouco tempo depois, Maria Bonita engravida e sofre um aborto. Mas, em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto de Folha, no estado de Sergipe. Lampião foi o seu próprio parteiro.

Como se tratava de um período de intensas perseguições e confrontos, e a vida era bastante incerta, os pais não tinham condições de criá-la dentro do cangaço. Os fatos que ocorreram viraram um assunto polêmico porque uns diziam que Expedita tinha sido entregue ao tio João, irmão de Lampião que nunca fez parte do cangaço; e outros testemunharam que a criança foi deixada na casa do vaqueiro Manuel Severo, na Fazenda Jaçoba.

O Capitão Virgulino adora ser fotografado e filmado. Neste sentido, consente que Benjamim Abraão, um fotógrafo libanês, conviva durante meses com o seu bando e colete muito material sobre o cangaço. Esse fotógrafo, contudo, é assassinado por um coronel, e grande parte do seu acervo é destruída.

Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraído pelo Dr. Bragança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas da internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto:

Doutor, o senhor não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi o do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.

Além das emboscadas planejadas para liquidá-lo, cabe ressaltar que Lampião conseguiu sobreviver ao veneno e ao fogo. Do primeiro, contou com a dosagem fraca que lhe deu, somente, um inconveniente desarranjo intestinal; do segundo, apesar de chamuscado, conseguiu escapar pulando. Mas foi ferido à bala diversas vezes.

Excetuando-se João, todos os irmãos de Virgulino morreram antes dele. Em 1926, Antônio foi morto em Serra Talhada, no encontro com uma volante pernambucana. Uma outra volante desse mesmo estado matou Levino Ferreira. O último a falecer foi Ezequiel, gravemente ferido pela polícia de Sergipe. Mas, quando Lampião percebeu que seu irmão estava se ultimando e sofrendo, saca do próprio revólver e dispara um tiro de misericórdia bem em cima de sua testa.

Em uma outra luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo a Garanhuns, Maria Bonita foi baleada. Como estava perdendo muito sangue, Lampião deu ordem para encerrar a luta imediatamente: pega a amada nos braços e segue rumo ao município de Buíque, onde ela é tratada na vila de Guaribas.

Vale deixar registrado que o bando de Lampião resistiu durante quase 20 anos, brigando com grupos de civis que o perseguiam e com a polícia de 7 estados nordestinos. Por todo esse tempo, assaltou propriedades de grandes fazendeiros, atacou povoados, vilas e cidades, roubou, pilhou, torturou e matou os seus adversários.

Apesar de ter sido baleado nove vezes, Lampião sobreviveu a todos os ferimentos, sem contar com qualquer tipo de assistência médica formal. Naquela época, desconheciam-se os antibióticos e as sulfas. Para estancar o sangue e curar os ferimentos, por exemplo, usavam-se mofo, pó de café e, até, excrementos de gado. Eram usadas, ainda, ervas medicinais e rezas dos curandeiros, que nem sempre funcionavam como se esperava. Um ferimento em seu pé, neste sentido, condenou Virgulino a mancar para o resto da vida.

Extremamente jeitoso, além de dotado de grande capacidade de improvisação, era o Capitão Virgulino que fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados dos feridos e fazia os partos das mulheres dos cangaceiros. Super dotado de inteligência, ele era médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista, guerrilheiro, artesão. Desconfiado, só ingeria algo depois que alguém tivesse provado o alimento. Por outro lado, só entregava o dinheiro após ter recebido a mercadoria. Entretanto, não conseguiu se livrar da traição dos falsos amigos.

No dia 27 de julho de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando um dos cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos 34 cangaceiros presentes, 11 morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais saquearam e mutilaram os mortos. Roubaram todo o dinheiro, o ouro, e as jóias.

A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida.

Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus. Guardadas as devidas proporções, após ter passado, praticamente, cento e cinqüenta anos da Revolução Francesa, os brasileiros retrocederam ao século XVIII, decepando cabeças como fizeram com Luís XVI e Maria Antonieta.

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Maceió e, depois, foram ao sul do Brasil.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas, examinadas, pois os criminalistas achavam que um homem bom não viraria um cangaceiro: este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam alguns, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.

Do sul do País, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O economista Silvio Bulhões, em especial, filho de Corisco e Dadá, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, essa macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro do seu pai violaram a sepultura, exumaram o corpo e, em seguida, cortaram-lhe a cabeça e o braço esquerdo, colocando-os em exposição no Museu Nina Rodrigues.

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

Virgulino morreu aos 41 anos de idade. No entanto, contabilizando-se os riscos enfrentados durante 20 anos de cangaço, a alimentação incerta, as emboscadas, os ferimentos, a falta de assistência médica, entre outros, pode-se afirmar que o rei do cangaço viveu mesmo muito tempo. Vale registrar, por outro lado, que Lampião e Maria Bonita possuem parentes próximos em Aracaju: sua filha, Expedita, casou com Manuel Messias Neto e teve quatro filhos (Djair, Gleuse, Isa e Cristina).

Por fim, a grande inteligência de Virgulino Ferreira da Silva, bem como o seu valor como estrategista valem a pena ser ressaltados. Mais de sessenta anos após sua morte, ele continua sendo lembrado na música, na moda, naliteratura de cordel, no teatro, no cinema, em escolas, em museus, em conferências e debates. O temido cangaceiro, indubitavelmente, o mais importante e carismático de todos, deixou gravado nas caatingas sertanejas um pedaço da história do Nordeste do Brasil.

Recife, 24 de julho de 2003.
(Texto atualizado em 19 de março de 2008).

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Lampião (Virgulino Ferreira da Silva). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar. Acesso em: 31 Jul 2012