sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Maconha emburrece

No programa De Frente Com Gabi, da apresentadora Marília Gabriela, atualmente exibido pelo SBT, apresentou em 19 de junho de 2013 uma entrevista com o médico e psiquiatra Dr. Sérgio de Paula Ramos. Especialista em dependência química há mais de 20 anos, ele afirmou que o consumo de drogas começa no primeiro gole, e não na primeira tragada. Dr. Sérgio falou ainda sobre a epidemia do crack, revelando causas e consequências devastadoras dessa e de outras drogas.

Algumas frases marcantes da entrevista:
• Todo o trabalho midiático contra o crack tem ajudado.

• Se essa ajuda estiver condicionada à permanência no tratamento, é uma ideia interessante. (sobre o Bolsa Crack)

• Em média, o adolescente está começando a beber aos 12 anos.

• Você não vê adolescente bebendo em lugares públicos nos EUA e na Europa. No Brasil é uma irresponsabilidade.

• Os resultados de quem chega ao hospital involuntária ou voluntariamente são praticamente os mesmos.

• Há recuperação no crack, mas estamos diante da dependência mais forte do país.

• Maconha, em poucas palavras, emburrece.

• Quando você aumenta a liberação da droga, você aumenta o consumo e as consequências dela.

Pois é, quando um médico fala, não tem muito que contestar. Agora que em vários países, principalmente nos Estados Unidos, está havendo um debate por leis de liberação do consumo de maconha, e alguns estados americanos até já autorizaram efetivamente a liberação, aqui no Brasil também já se ouve um zum zum zum de maconheiros e simpatizantes querendo "liberar geral" (apesar de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que a bancada evangélica do congresso nacional deixar a liberação das drogas passar).

O fato é que qualquer coisa que entre pelos pulmões ou pela boca e que não é vitamina, proteína ou sais minerais, é substância tóxica, ou no mínimo, inútil, e que ainda dá trabalho ao organismo para se livrar desse lixo depois. Portanto, não só drogas, mas também álcool e cigarro, são igualmente nocivos para o organismo. A não ser que alguém prove que álcool ou nicotina são alimentos para alguma parte do corpo.

Liberar drogas só vai aumentar o número de pessoas usando substâncias não-nutrientes para o corpo. Isso para falar da forma mais suave, se não quisermos falar dos efeitos mentais do álcool e das drogas, que muitas vezes potencializam defeitos de caráter de quem usa, como por exemplo, a agressividade e a desonestidade (como os milhares de casos já registrados de drogados que roubam ou até matam para conseguir dinheiro para comprar mais drogas)

Dr. Sergio de Paulo Ramos, que outros médicos como o senhor tenham cada vez mais acesso à mídia para que a voz da sensatez, e principalmente da ciência continue falando mais alto. E que falem cada vez mais baixo tanto os que são a favor de liberar mais drogas (como se não bastasse a desgraça que é o álcool) com seus argumentos sem fundamento científico, apenas tentando apregoar umas frases feitas do tipo  "abaixo a repressão" como se liberar drogas fosse uma espécie de bandeira heróica de uma revolução contra alguma ditadura sanguinária.

Fonte da entrevista: http://www.sbt.com.br/defrentecomgabi/noticias/12583/Maconha-em-poucas-palavras-emburrece-diz-Dr-Sergio-de-Paula-Ramos.html#.UjwE19J018E






sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mulher, cachorro e gato - Qual é o MELHOR?



Outro dia visitando meu amigo Matheus, fiquei incomodado porque a cadela dele me recebia muito mal quando eu chegava, começava a latir e rosnar, e demorava muito para baixar a guarda comigo.  Ele me disse que eu não era carinhoso com a cadela dele, por isso ela ficava rosnando e demorando para se aproximar de mim.

A cadela de outro amigo meu, o grande dramaturgo e poeta Tony Caroll, também foi outra que me causou sentimentos de contrariedade... A bicha parece que me detestou quando me viu, queria me morder o tempo todo, uma hora fui tentar passar a mão na cabeça dela e NHAC! Foi por um milimetro que a desgraçada não me cravou os caninos na mão com toda força. Dali a pouco chegou um vizinho do Tony, um rapaz meio maluco, e a cachorra ficou toda feliz, pulando em volta do rapaz, toda cheia de amor pra dar. Fiquei uma arara com a cachorra... A pior coisa que tem é voce se sentir rejeitado enquanto a outra pessoa recebe toda a atenção e sorrisos...Ainda mais quando a rejeição parte de uma droga de uma cachorra cheia de pulga. Com o coração partido e ensandecido pela rejeição canina, prometi para mim mesmo que não iria voltar a visitar esse meu amigo, só por causa dessa cachorra dos diabos.

Bom, eu confesso que não gosto muito de cachorro mesmo...são carentes demais, querem atenção o tempo todo, carinho o tempo todo, tem que ficar falando com aquela "voz de brincadeira" pra eles pegarem confiança em você ...Prefiro mil vezes gatos, são independentes e demonstram afeto em doses homeopáticas, e nem gostam que fiquem acariciando eles o tempo todo.

 Receber amor é bom, mas mantendo a independência é muito melhor. Isso serve inclusive em relacionamentos amorosos de verdade. Qual o homem que gosta de uma mulher que fica no pé o tempo todo, ligando de 5 em 5 minutos pra saber o que voce tá fazendo, com quem voce tá, porque voce não disse "eu te amo" hoje, "porque voce ainda não disse que tá com saudade", "porque voce não me deu um beijo quando se despediu de mim ontem", e mais uma tonelada de "nhén nhém nhém" no teu ouvido...


A mulher inteligente é a Mulher-gato, gosta de seu dono mas sabe preservar seu próprio valor. Mulher-cachorro acaba sendo chifrada, e depois não sabe porque. Pois isso já é programado pela própria natureza no organismo dos seres humanos e da maioria dos mamíferos: o homem tem natureza polígama, e o desejo inato de espalhar seus milhões de espermatozóides no máximo de úteros possiveis. Isso não é uma vontade voluntária, é um instinto mecânico e involuntário, independente de que os homens aprendam na escola ou na Biblia que o adultério é algo muito feio e um pecado que o levará direto para dentro do caldeirão do Tinhoso.

Já a mulher, por produzir durante a vida apenas algumas centenas de óvulos, tem um instinto de permitir que apenas um que lhe fecunde (ou o mínimo de homens possivel), pois para a mulher, um óvulo por mês é muito mais precioso, do que para o homem são os milhões de espermatozóides que são produzidos diariamente em seus testículos. Se jorrarem uns 100 milhões de espermatozóides, o que é que tem? Daqui há algumas horas, já tem mais outros 100 milhões saindo do forno. E assim, o homem não tem porque poupar o estoque. Ao contrário, quer mais é colocar o estoque todo disponível para o maximo de freguesas possível, seja a freguesa da matriz, sejam as das filiais.

A primeira coisa que TODO homem gosta é: liberdade. Assim como os gatos. Nada de amor sufocante, monopolista, possessivo e egoista. Quanto mais a mulher se afastar desses impulsos de cachorro, de paparicar demais, querer atenção o tempo todo, ter ciúme até da folha de palmeira balançando perto do marido/namorado, mais ela tem chances de realmente ter um homem que fique apaixonado por muito tempo, quem sabe até muitos anos (enquanto o interesse sexual de ambos também permanecer, é claro).

Portanto, mulheres que querem arranjar um casamento que comemore bodas de bronze, de prata, de ouro, ou até a de jequitibá - aquela árvore brasileira que é dura que nem pedra, e que corresponde a comemoração de 100 anos de casado (!!!), o meu recado para vocês é: antes da casarem comprem um gato.  Sentem em frente a ele por alguns dias, semanas ou meses, até aprender com eles como demonstrar que gostam de alguém. Depois disso, aí é que podem começar a procurar um pretendente.

PS: só não precisam aprender a miar, porque mulher que fala "miando" é também um verdadeiro chute no saco...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

José Siqueira, o genial maestro da Paraíba




José Siqueira é um nome muito comum no Brasil. Quantos Josés Siqueiras voce já conheceu? Acredito que pelo menos um, nem que tenha sido só de nome. Por isso, talvez o José Siqueira compositor, maestro e um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira talvez pareça apenas mais um nome comum para 99.9% dos brasileiros, que o diga dos estrangeiros.

Bom, eu me incluo nos 00,1% dos que conhecem não só o nome do José Siqueira maestro e compositor, mas também algumas obras sinfônicas deste genial paraibano que trouxe as paisagens e aromas do seu Nordeste para o repertório sinfônico.

José de Lima Siqueira nasceu em 1907 na cidade de Conceição, no desconhecido Vale do Piancó (desconhecido pelo menos por nós do Sul-Sudeste), em pleno sertão da Paraíba. Segundo o próprio compositor declarou, na pequena cidade não havia nem um piano. Ele só viu um piano pela primeira vez na vida quando saiu da sua pequena cidade natal. Quanto a isso, não mudou nada. Até hoje há centenas de vilarejos e cidadelas no Nordeste e em outras partes do Brasil que não tem um piano, violino, clarinete e nenhum outro instrumento "da elite". O maximo que pode se encontrar é um violãozinho furreca, e olhe lá.

Voltando a história de José Siqueira, como não tinha piano, o primeiro contato dele com a música foi com as bandas de sopros de cidades do sertão da Paraíba. Seu pai era mestre da banda Cordão Encarnado, que ensinou o filho a tocar diversos instrumentos como o saxofone e o trompete.

Em 1927 veio para o Sul Maravilha, mais especificamente para a capital do Brasil - na época o Rio de Janeiro. Na verdade ele não veio por causa da música, e sim porque era integrante das tropas recrutadas para combater a Coluna Prestes. Mas claro que a música sempre grita mais alto quando voce tem esta vocação dentro de si, não há como sufocar, e logo o jovem entrou na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista.

Isso me lembra a história de Rimsky-Korsakov, grande compositor russo e um dos maiores mestres de orquestração da história da música erudita. Quando jovem, Korsakov serviu na Marinha russa, e mesmo tendo seguido carreira militar, nunca deixou a música de lado.   

No Rio, José Siqueira construiu sua carreira de compositor e maestro. Foi professor da Escola de música da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundou a Orquestra Sinfônica Brasileira em 1940. Também regeu nos Estados Unidos grandes orquestras como a Sinfônica da Filadélfia, Detroit, Rochester. Na França regeu a Orchestre Radio-Symphonique, de Paris, e em Roma, A Sinfônica de Roma.

Fundou também a Orquestra de Câmara do Brasil, Sociedade Artística Internacional, o Clube do Disco e a Ordem dos Músicos do Brasil.

Além de ter escrito um excelente tratado de orquestração (que tive oportunidade de ler na Biblioteca Nacional), José Siqueira compos de tudo: óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias, música de câmara, música de ballet, musica vocal, etc.



Somente agora nos ultimos anos, com a internet, está ficando mais fácil - ou eu diria menos impossivel - encontrar gravações de obras de José Siqueira. Mesmo assim, ainda é muito complicado encontrar gravações de algumas obras fundamentais do maestro, como o Carnaval no Recife (com um Frevo no final que é uma página clássica do repertório sinfônico brasileiro, mas que de forma ultrajante continua totalmente desconhecido e não executado), o oratório Xangô (foto acima da capa do LP), e a emblemática Toada para Cordas, esta talvez a única obra que é um pouco mais gravada por alguns quartetos e orquestras de cordas - assim mesmo muito raramente. Também quero mencionar um belíssimo Concerto para Orquestra, de Siqueira, que assisti na Sala Cecília Meireles em 1986 ou 87 (não me lembro exatamente o ano) sendo executado pela OSB regida pelo excelente maestro Norton Morozowski. Um concerto sem instrumento solista, só para a orquestra, dividido em movimentos, da mesma forma que a Overture, Scherzo e Finale de Schumann. Porém, pintado com belíssimas cores brasileiras, e uma orquestração simplesmente fascinante.         

Esse raro concerto eu assisti nos meus tempos de estudante de música, quando realmente voce não encontrava quase nada da música de José Siqueira sendo divulgado. Na verdade, só era possivel ouvir musicas de José Siqueira através da Rádio MEC FM, o verdadeiro baluarte de divulgação da música erudita no Brasil. Se não fosse a Rádio MEC, não haveria nada, absolutamente nada de José Siqueira e de outros compositores brasileiros sendo divulgados nos anos 70 e 80. 

Essa dificuldade em ouvir obras de José Siqueira em parte se deve a um fato político infeliz, pois o maestro foi mais uma vítima da famigerada perseguição que o governo brasileiro fazia contra os comunistas (como em vários outros países do mundo ocorria), e em 1969 - logo que o terrível AI-5 foi implantado pela ditadura - Siqueira foi aposentado "antecipadamente". 

Antes, em 1948, ele também já havia sido prejudicado por ser comunista: Arnaldo Guinle, aristocrata da familia dos fundadores do Copacabana Palace e patrono da Orquestra Sinfônica Brasileira, se indispôs com José Siqueira e conseguiu afastá-lo da direção da sociedade com apoio da "ala direita" da sociedade (conforme citado no artigo da wikipedia sobre a história da OSB).




Após sua "aposentadoria", e enquanto durou o regime militar, Siqueira não teria mais possibilidades de seguir sua carreira de músico no Brasil (e obviamente também nos Estados Unidos e outros países anti-comunistas) . A solução foi ir para a extinta União Soviética, onde regeu a Orquestra Filarmônica de Moscou (foto acima) e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Os russos apoiaram o brasileiro e editaram boa parte de sua obra, garantindo sua preservação.

Siqueira faleceu no Rio em 22 de abril de 1985, exatamente quando o governo militar estava dando adeus ao poder. Um  dia antes, morria Tancredo Neves, o primeiro presidente civil desde 1964, por eleições diretas. Em seu lugar, José Sarney seria o primeiro presidente civil do Brasil após os "anos de chumbo" que calaram tantas vozes, inclusive a do genial maestro José Siqueira

Se voce quer conhecer mais sobre vida e obra de José Siqueira, sugiro que dê uma olhada no blog mantido pela neta do compositor, Mirella San Martini, que está fazendo um trabalho excelente de preservação da memória de seu avô. O blog traz sempre as novidades sobre concertos e atividades musicais relacionadas a José Siqueira e mais informações sobre vida e obra do maestro. O endereço do blog é http://maestrojosesiqueira.blogspot.com.br  

Victor Jara, um martír da música e da liberdade


Mural criado por mim para uma matéria sobre o cantor chileno Victor Jara, considerado um mártir da música, por ter sido torturado e morto pela ditadura chilena só por cantar músicas pela paz e pela justiça social, contra a miséria e a desigualdade. Foi preso com outras 3.000 pessoas acusadas de apoiarem o comunismo. Todas foram presas em um estádio, onde Jara escreveu um poema sobre o terror de estar vendo seus companheiros estudantes e professores da Universidade sendo torturados e mortos. Poucos dias depois, os soldados esmagaram suas mãos para que não pudesse mais tocar seu violão, e assassinado com 44 tiros. (1) Victor Jara, (2) soldados do Exército vigiando os presos no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, (3) Soldados prendendo pessoas nas ruas do Chile, (4) Criança pobre catando comida no chão em favela no Chile, (5) Victor Jara cantando para crianças pobres em uma Favela no Chile, (6) O sanguinário ditador chileno Augusto Pinochet, que mandou o exército assassinar todos os opositores comunistas do seu governo, apoiado pelo governo dos Estados Unidos e da Inglaterra
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ENGLISH: Victor Jara is a martyr of music. He was tortured and killed by Chilean dictatorship, just for his songs about peace and social justice. He was arrested with other 3,000 people accused of supporting communism. All them were jailed in a stadium where Jara wrote a poem of horror at seeing his comrades - University students and teachers - being tortured and killed in front of him.A few days later, soldiers smashed his hands so he could play no more his guitar, and killed him with 44 shots. (1) Victor Jara (2) Army soldiers guarding prisoners at the National Stadium of Santiago, Chile, (3) Soldiers arresting people on Chile' streets, (4) Poor Child picking up food on the floor in a Chilean slum (5) Victor Jara singing for poor children in a slum, (6) The bloody dictator Augusto Pinochet, who ordered the Chilean army to murder all his communist opponents. His government was supported by US and UK. (photomontage by Roberto Carelli for Pan Channel)

Não ande atrás de mim...


domingo, 9 de setembro de 2012

A Emília era racista?




Hoje fiquei pasmo ao ler a notícia do jornal "O Globo", de que o livro "Caçadas de Pedrinho" de Monteiro Lobato, iria ser levado a uma audiência no Supremo Tribunal Federal por ter sido denunciado como uma obra literária que incita o racismo. 

A denúncia foi feita pelo "técnico em gestão educacional" Antonio Gomes da Costa Neto à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em relação à trechos como os que se referem à personagem Tia Nastácia como "preta" (como “Lá é isso é — resmungou a preta, pendurando o beiço”). 

Na minha opinião, o senhor Antonio Gomes deveria procurar algo melhor para fazer - dentro das atribuições de sua função de técnico em gestão educacional - para valorizar mais as pessoas da raça negra, como por exemplo recorrer ao governo para que abra mais escolas e universidades em áreas carentes, por exemplo, onde parte significativa da população é negra e não tem acesso a boas escolas e universidades. 

Isso com certeza seria muito mais útil que ficar perseguindo um livro escrito há mais de 80 anos quando o modo de se referir aos negros era este mesmo, e isso não era racismo, era apenas o modo de falar. Até minha avó falava assim de seus conhecidos da raça negra, e não era falado como algo racista, era apenas a maneira habitual de se referir.

O que este senhor esta fazendo é um racismo ao contrário. Se fosse um personagem branco em que monteiro Lobato escrevesse “Lá isso é — resmungou a BRANCA, pendurando o beiço mais branco ainda" Isso teria então que ser denunciado como racismo contra os brancos, não?

Ou se fosse "Lá isso é - resmungou a CHINESA, apertando os olhos mais ainda do que já eram", isso é racismo contra os chineses, n'est pas?

No facebook, choveram comentários a este artigo do Globo, e um rapaz negro muito indignado, saiu postando várias mensagens apoiando que o livro fosse censurado, e que era racista mesmo, e alertou ameaçador: "racistas,  corram para as montanhas! O mundo ta ficando pequeno para vocês!!" 

Uma outra pessoa postou que os livros do "Sitio" fazem "uma defesa engajada das ideias eugenistas". Para quem não sabe, a eugenia foi um conceito criado pelo cientista inglês Francis Galton, que apregoava que a melhora da qualidade de uma determinada espécie poderia ser obtida através da seleção artificial dos indivíduos com as melhores qualidades físicas e mentais para que só fossem gerados filhos com as mesmas qualidades

Este conceito foi amplamente usado por para justificar as ações de extermínio ou esterilização de indivíduos considerados inferiores. O Nazismo usou e abusou deste conceito. Mas aqui no Brasil também houve uns espasmos dessa droga de ciência inútil. Em 1918 foi criada uma tal de "Sociedade Eugênica de São Paulo", e em 1931 o "Comitê Central de Eugenismo", que entre outras pérolas do racismo, apregoava "o fim da imigração de não-brancos", e "prestigiar e auxiliar as iniciativas científicas ou humanitárias de caráter eugenista que sejam dignas de consideração". Uma respeitada publicação oficial, a "Revista Brasileira de Enfermagem", apoiava as idéias eugenistas, mas era difícil distinguir até que ponto estes brasileiros eugenistas se referiam a "raças", ou apenas a indivíduos com doenças físicas ou mentais como "não desejáveis" para a procriação.    

Voltando à vaca fria, lá no post do Globo já estavam chovendo comentários taxando a censura ao livro de Lobato "ridícula", e alguns começando a reclamar do tal rapaz que apoiava a censura, o rapaz postou que " Só a classe media branca que chama o empregado negro de "neguinho" e pessoas de cabelo crespo de "cabelo ruim" vem aqui bravejar que (o livro de Monteiro Lobato) não é racista!!" 

Nessa hora eu não me contive e postei a seguinte pergunta para o rapaz: "então se chamar um empregado negro de "neguinho" é racista, então é racista também chamar um empregado loiro de 'alemão' ou 'russo' (como muita gente chama pessoas loiras)? O que me diz?"

O rapaz não respondeu, mas continuou discutindo com os outros que postavam impropérios contra ele e sua posição isolada de apoiar a censura do "Caçadas de Pedrinho".

Não nego que exista racismo no Brasil, claro que existe. Não tão forte e sectário quanto nos Estados Unidos, mas existe. Agora o que é ridículo nessa história é querer censurar um livro escrito há quase 100 anos, que faz parte da história da literatura brasileira, por uma "caça as bruxas racistas". Conheço muito bem os livros do Sitio do Picapau, não me lembro de ter visto nada racista ou eugenista. Ou então eu sou muito burro e nunca percebi que realmente a Dona Benta, a Narizinho, Emilia e o Visconde de Sabugosa viam a Tia Nastácia, o Saci e o Tio Barnabé como seres inferiores. Então vou pegar todos os livros do Sítio e ler tudo de novo pra ver se isso é verdade.

De repente eu pulei alguma frase eugenista dita pelo Visconde de Sabugosa. Como ele era o intelectual da estória, com certeza devia ser um admirador enrustido do Francis Galton. Antes ele tivesse voltado a ser um rélis sabugo de milho de novo. Assim servia de comida para o Rabicó e não saia por aí falando bobagens sobre a Tia Nastácia, coitada. 

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/09/08/monteiro-lobato-no-banco-dos-reus-464280.asp

domingo, 26 de agosto de 2012

Foi Hitler!


Para os que ainda achavam que os americanos tinham afundado navios brasileiros na 2ª Guerra Mundial e botaram a culpa nos Alemães só para induzir o Brasil a entrar em guerra contra Hitler, aqui está a prova de que estão enganados. Segue abaixo matéria do jornal O Estado de São Paulo sobre o assunto:

Hitler ordenou pessoalmente ataques a navios brasileiros 
É o que revelam os papéis do Tribunal de Nuremberg guardados no Itamaraty
 (Publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 25 de agosto de 2012 por Wilson Tosta




Uma estratégia naval supervisionada pelo próprio Adolf Hitler resultou no ataque generalizado de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros junto à costa do País nos primeiros oito meses de 1942, quando o governo Getúlio Vargas ainda era formalmente neutro na 2.ª Guerra Mundial. Documentos do Tribunal de Nuremberg guardados no Arquivo Histórico do Itamaraty mostram que o führer autorizou pessoalmente o uso da força contra embarcações do Brasil em maio daquele ano, por considerar os brasileiros em guerra contra o reich.

A papelada tem partes do diário de guerra do ex-chefe de Operações do Oberkommando der Wehrmacht (OKW), general Alfred Jodl, e depoimento do ex-ministro da marinha alemã Erich Raeder na corte que julgou chefes nazistas - Jodl foi condenado à morte e Reader, à prisão perpétua. Os afundamentos levaram o País ao conflito.

"Em 29 de maio, o Comando de Operações Navais (SKL) propôs liberar o uso de armas contra forças aéreas e navais brasileiras", anotou Jodl em 16 de junho. "(O SKL) Considera apropriado um rápido golpe contra navios mercantes e de guerra brasileiros no momento presente, no qual medidas defensivas ainda estão incompletas e a possibilidade de surpresa existe, já que o Brasil praticamente está guerreando no mar a Alemanha. (...) Sobre a proposta do chefe do Comando Operacional das Forças Armadas, o führer ordenou em 30 de maio que o Comando de Operações Navais (SKL) deveria verificar, perguntando a Roma se relatórios brasileiros sobre a guerra, como ações contra submarinos do Eixo, estão corretos. A investigação (...) mostrou que submarinos italianos foram atacados em 22 e 26 de maio no canto nordeste do Brasil por aviões que fora de dúvida decolaram de base área brasileira."

Chefe da marinha de guerra alemã (Kriegsmarine) até 1943, Raeder se defendia em Nuremberg da acusação de crime de guerra por ordenar ações bélicas contra um país neutro e atacar embarcações brasileiras. Na época, os U-boats (submarinos) alemães tentavam bloquear o envio de matérias-primas e armas aos Aliados no Reino Unido e norte da África, atacando embarcações mercantes inimigas, o que não era oficialmente o caso do Brasil. Sua defesa argumentou que os brasileiros não sinalizavam corretamente seus barcos, tornando-se impossível diferenciá-los de navios inimigos. A documentação faz parte do arquivo da Missão Militar Brasileira na Alemanha e foi encaminhada ao País pelos Aliados em 1946.

Medo. A tensão entre Brasil e Alemanha vinha de 1941. O primeiro incidente entre os dois países ocorreu em 22 de março, quando o navio mercante Taubaté foi metralhado pela Luftwaffe no Mediterrâneo, junto à costa do Egito, deixando um morto e 13 feridos. Em 13 de junho, um submarino alemão obrigou o navio Siqueira Campos a parar junto a Cabo Verde. A embarcação brasileira só foi liberada após ser revistada e ter tripulantes fotografados. O Brasil aprofundava as relações com os Estados Unidos, que, a partir de junho, passaram a usar portos de Recife e Salvador. De Natal, americanos começaram a fazer patrulhamento aéreo. O Brasil rompera com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 28 de janeiro de 1942, no fim da 3.ª Conferência de Chanceleres das Américas, no Rio.

"A relação entre Brasil e Alemanha na época era assustadora", declarou Raeder, respondendo a seu advogado, Siemers, diante dos juízes em Nuremberg . "Alemães eram perseguidos lá, tratados muito mal. Os interesses econômicos da Alemanha eram prejudicados pesadamente. Brasileiros já vinham dando ouvidos aos Estados Unidos. Tinham permitido estações de rádio americanas. Transmissores sem fio tinham sido estabelecidos ao longo da costa brasileira e também estações de inteligência. (...) Eles mesmos confirmaram que tinham destruído um submarino alemão."

Depois do rompimento diplomático, recrudesceram os ataques alemães contra o País, ainda longe de águas brasileiras. A guerra chegaria mais perto em 22 de maio, quando o submersível italiano "Barbarigo" atacou (sem conseguir afundar) o vapor mercante Comandante Lira, entre Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. O submarino foi localizado por um B-25 Mitchell da FAB, que, atacado a tiros de metralhadora, segundo a versão brasileira, reagiu com bombas. A embarcação italiana escapou, mas o incidente teve repercussão no comando alemão. É a esse caso que Jodl cita em seu diário.

A embaixada alemã temia o agravamento das relações com o Brasil, por causa da atitude da Argentina e do Chile. Após a ação contra o Barbarigo, o Comando de Operações Navais propôs que dez submarinos, que deveriam sair entre 22 de junho a 4 de julho de portos na França, bloqueassem os principais portos brasileiros de 3 a 8 de agosto. A ordem deveria ser dada aos submarinos até 15 de junho.

‘De acordo’. Segundo Jodl, depois de o comandante da marinha relatar a situação a Hitler em 15 de junho em Berghof, o führer "se declarou de acordo". "Ordenou, contudo, que antes da decisão definitiva a situação política fosse de novo examinada pelo Ministério das Relações Exteriores." A operação, porém, acabou suspensa. Veio então nova série de ataques de navios brasileiros, ainda longe das águas nacionais.

Em agosto, o Eixo iniciaria outra ofensiva, agora contra a costa brasileira. Só no dia 16 morreram 551 pessoas nos ataques aos navios Baependi (270 mortos), Araraquara (131) e Annibal Benevolo (150). Os três foram torpedeados pelo submarino alemão U-507 perto de Sergipe. Um dia depois, o mesmo submersível matou mais 56 pessoas, ao afundar os navios Itagiba e Arará na costa da Bahia. Em 19 de agosto, o U-507 afundou a barcaça Jacira, perto de Ilhéus. Três dias depois, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.

Telegrama "altamente secreto" da marinha alemã para o OKW admitia "risco" de a força ser responsabilizada pela entrada do Brasil na guerra. Ela sugeriu ao ministério das relações exteriores que pedisse às nações neutras para sinalizar seus navios para não serem confundidos com inimigos. Por fim, o documento da marinha diz: "O Ministério das Relações Exteriores alemão, contudo, mandou tal notificação só para Argentina e Chile. Um telegrama enviado em 10 de fevereiro de 1942. O Ministério das Relações Exteriores permaneceu no ponto de vista de que Estados sul-americanos que tinham rompido relações conosco não fossem informados."

Mortes. Ao todo, 35 navios brasileiros foram atacados de 1941 a 1944 - 33 afundaram, com 1.081 mortos documentados (mas o número pode chegar até a 1.400, pois nem toda embarcação tinha controle do número de passageiros) e 1.686 sobreviventes. Estudioso da 2.ª Guerra Mundial, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, avalia que os documentos de Nuremberg trazem detalhes importantes sobre as decisões alemãs de atacar navios brasileiros. "Publicados, poderiam finalmente aquietar um pouco do nonsense sobre quem afundou os navios brasileiros e por quê."

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,hitler-ordenou-pessoalmente-ataques-a-navios-e-cerco-a-portos,921563,0.htm