domingo, 29 de julho de 2012

Recordações de uma criança em Copacabana

Rio de Janeiro em 1973 (filme)


Eu comecei a frequentar a praia de Copacabana lá por 1975/1976, uns 2 anos depois desse filme, logo depois que minha mãe se separou do meu pai e abandonou o apartamento da Tijuca onde moravamos com ele.

Minha mãe me levou para morar com a minha avó em um conjugado na Rua Siqueira Campos em Copacabana, e elas tinham o hábito de todo santo dia irem para a Praia de Copacabana. Ficavam no minimo umas 4 horas torrando no sol.

Eu nunca gostei de sol nem de calor, mas quando a gente é criança, não tem muito direito de escolha. Então eu tinha que ir com elas. Por isso, dos 4 aos 9 anos eu era um verdadeiro garotão de praia: super-bronzeado, o maior pegador de onda, e até jogava (muito mal) futebol  com uns garotos na areia (o que eu detestava, porque na praia eu só gostava mesmo era de ficar mergulhando na água).   

Me lembro que o mar era bem mais bravo assim como está aparecendo no filme, e a gente tinha mesmo que sair correndo com barraca, esteira e tudo na mão porque a onda as vezes vinha invadindo a areia com toda força, carregando tudo que estivesse pela frente. Uma dessas vezes eu tinha uns 6 anos, uma dessas ondas me arrastou da areia e quase morri afogado. Hoje em dia o mar em Copacabana é bem mais calmo.

Na verdade, a areia da praia de Copacabana era muito mais estreita que hoje. Eu não peguei essa época, mas meu pai me contava que a Avenida Atlântica só tinha uma pista, e as ondas batiam muito menos longe da calçada. 

No final da década de 60, Negrão de Lima, o governador do Rio de Janeiro (ou melhor, do estado da Guanabara, que era o nome do estado do Rio na época) autorizou a duplicação  das pistas da Avenida Atlântica, e aterraram a Praia de Copacabana do Leme ao Posto 6.
As obras começaram em 1969 e foram até 1971 (a foto acima foi tirada durante o período do aterramento, vejam como ainda só havia uma pista de duas mãos na Avenida Atlântica).  O aterramento foi feito para deter as ressacas frequentes que invadiam o calçadão e a Avenida. Também construíram, embaixo das pistas da Avenida Atlântica, o Interceptor Oceânico da Zona Sul, para resolver o problema dos esgotos desta região. O alargamento da praia foi de cerca de setenta metros de largura ao longo de toda sua extensão de quatro quilômetros.

O meu pai dizia que era por causa desse aterramento que o mar de Copacabana ficou tão bravo e perigoso, porque antes, quando o mar ia até perto da calçada, as águas eram bem mais calmas. Ficou bravio porque a areia passou a ir até a faixa de arrebentação das ondas, que antes eram lá longe, distante da beira d'água.    

Quanto ao esgoto, o que eu me lembro quando eu ia na praia na década de 70, eram de umas linguas negras saindo de grandes tuneis retangulares do calçadão, e que desembocavam no mar. Era feio de se ver, pareciam uns rios com água preta, as vezes cheirando a esgoto...eu ficava com medo de mergulhar no mar perto da desembocadura dessas linguas negras, pois eu ficava imaginando que devia ser cheia de micróbios e doenças, e que os micróbios deviam ficar nadando por ali por perto de onde a lingua desembocava na arrebentação....

Mas na década de 80 finalmente fecharam esses túneis e acabou esse negócio de lingua negra em Copacabana.      

No final da década de 80, finalmente construiram a ciclovia. Bom, isso foi a 20 anos. Mas até hoje, a ciclovia não passou da orla. Repito o protesto do meu ultimo post: porque ciclovia só na Zona Sul?    

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Achei muito legal Roberto, saber um pouco mais sobre a história de Copacabana.E com certeza a ciclovia não deveria ser só na zona sul, deveria ser por muitas outra partes da cidade.

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